Talvez um dia, eu pare.
De me expor, de me despejar num qualquer papel, num palco mal iluminado.
Talvez um dia eu canse, e queira ficar num canto, quieto.
Talvez um dia, eu não me importe, não deseje e não queira.
E talvez até ouça os sucessos populares.
Talvez até engavete tudo.
Talvez um dia eu abandone as reticências, aprenda a dizer adeus.
Me conforme com o que sou, e aposente a subversão.
Talvez um dia eu escreva sobre outras coisas,
deixe as metáforas fugirem pela janela.
Esqueça os aforismos, os neologismos e paroxismos.
Talvez um dia eu acorde simples, com apenas três acordes.
E use os livros para segurar a porta, que teimosa se fecha.
Talvez, um dia eu pare...
E nem perceba...
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