domingo, 8 de janeiro de 2012

Fever

Detalhes.  Já se disse que o diabo mora nos detalhes. Mas não só ele. É dos detalhes que nos abastecemos. Do timbre único da cantora que gostamos, da pequena pinta no tornozelo esquerdo da mulher amada, da cicatriz no queixo do amigo de infância, que só será reconhecido cinquenta anos depois, por esse detalhe.
E a cada dia os perdemos, os detalhes. Em nossa busca frenética de sermos alguém, deixamos de lado o que nos caracteriza. Não os reconhecemos em nós, e muito menos nos outros. Cada palavra, cada olhar, o mínimo sinal. Do outro, do nós mesmos. O pelo que arrepia, a pupila que dilata, o arfar, o peito que dilata a caixa toráxica. Nos perdemos no grande, e negligenciamos o pequeno. O ínfimo. Como se não fossemos feitos de ínfimos átomos de matéria. 
Que sejamos apenas um detalhe, capaz de alterar tudo ao nosso redor.
Que sejamos apenas uma febre...

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