E sim...
Me espalho, me esparramo, me transbordo
Exagero
Me repenso, me revejo, me reconheço
Sou o mesmo, diferente
Relembrando coisas até então dadas como mortas...
Empilho cadáveres diários, vestidos com meu sentir
Exagero, eu
Não respeito a capacidade do copo...
Desprezo as razões, cuspo nos porquês
Sou o mesmo, diferente
Tripudio prazos, desdenho o alheio
Me divido, o mesmo, diferente
E sim, não canso...
Esquecências
Bobagens, expurgos, devaneios e divagações sobre quase tudo...
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Depois de tudo
Calei-me.
E segui vivendo, calado.
Mostrei-me e calei.
Deixei o tempo, soberano, passar.
E me calei. Só disse o necessário.
E muitas vezes, nem isso.
Perdi, ganhei. Descobri, larguei.
Tudo continua igual.
Exceto por uma fagulha. Que sopro a cada respirar.
Redenção? Talvez.
Novo fôlego. Certeza.
E talvez me cale.
Ou não.
E segui vivendo, calado.
Mostrei-me e calei.
Deixei o tempo, soberano, passar.
E me calei. Só disse o necessário.
E muitas vezes, nem isso.
Perdi, ganhei. Descobri, larguei.
Tudo continua igual.
Exceto por uma fagulha. Que sopro a cada respirar.
Redenção? Talvez.
Novo fôlego. Certeza.
E talvez me cale.
Ou não.
Dona Helena e eu
Minha aversão por clichês é notória. E se
somam aos clichês, o oportunismo, a ignorância e o mercantilismo, então a
aversão se torna repulsa. E repulsa foi que senti durante todo o ano,
quando se evocou, indistinta e profanamente o nome de Dona Helena.
Por admiração imutável, e por respeito quase sacro, escrevo, no ultimo mês do ano, inacabadas e insuficientes linhas sobre aquela que sem querer, tornou-se minha madrinha.
Aos oito, já letrado pela severa mãe germânica, como tarefa, escrevi redação, que viria a ser premiada. E o troféu, um livro, autografado, de corpo e alma presente, pela autora: Helena Kolody. O guardo até hoje, como guardo as palavras simples, diretas, objetivas, que me fizeram sonhar os mesmos sonhos impressos no papel pardo. Igualmente, guardo os olhos claros de anjo me entregando o regalo com um sorriso e uma frase: a poesia te fará uma criança, mesmo quando teus cabelos forem da cor das nuvens.
A reencontrei muito tempo depois, já quase senhor de mim, com a barba por fazer. Vendi livros por um tempo, num tempo em que se lia, e que o lugar onde se encontravam as letras era quase um templo. Por uma porta da Voluntários da Pátria, entra Helena, a Dona Helena. A cumprimentei, e repeti a frase que ela me dissera anos antes: os olhos da cor do céu brilharam, e nos reconhecemos. Ao longo de pouco menos de dois anos, partilhamos cafés, estórias, frases, autores, olhares. E entendi que a poesia é de carne e osso.
Outros anos se passam, e eu já das artes por influencia direta daqueles olhos da cor do céu, opto pela insânia de abrir as portas de um espaço físico para que as letras, as cores e formas se concretizem. Estamos em 2004. E é quando, pouco depois das festas, aqueles olhos da cor do céu juntam-se ao céu azul, tornando-o ainda mais intenso. Esse brilho foi tão forte, que a menor das homenagens e o maior dos privilégios, fez surgir a Casa de Artes Helena Kolody, amadrinhado e abençoado por aqueles olhos que só quem teve a sorte de ser agraciado, pode entender.
Dona Helena Kolody. Um nome que respeito tanto ou mais do que o de minha própria mãe. E que me esforço diariamente, para ser digno deste parentesco feito não de sangue, mas de poesia .
Por admiração imutável, e por respeito quase sacro, escrevo, no ultimo mês do ano, inacabadas e insuficientes linhas sobre aquela que sem querer, tornou-se minha madrinha.
Aos oito, já letrado pela severa mãe germânica, como tarefa, escrevi redação, que viria a ser premiada. E o troféu, um livro, autografado, de corpo e alma presente, pela autora: Helena Kolody. O guardo até hoje, como guardo as palavras simples, diretas, objetivas, que me fizeram sonhar os mesmos sonhos impressos no papel pardo. Igualmente, guardo os olhos claros de anjo me entregando o regalo com um sorriso e uma frase: a poesia te fará uma criança, mesmo quando teus cabelos forem da cor das nuvens.
A reencontrei muito tempo depois, já quase senhor de mim, com a barba por fazer. Vendi livros por um tempo, num tempo em que se lia, e que o lugar onde se encontravam as letras era quase um templo. Por uma porta da Voluntários da Pátria, entra Helena, a Dona Helena. A cumprimentei, e repeti a frase que ela me dissera anos antes: os olhos da cor do céu brilharam, e nos reconhecemos. Ao longo de pouco menos de dois anos, partilhamos cafés, estórias, frases, autores, olhares. E entendi que a poesia é de carne e osso.
Outros anos se passam, e eu já das artes por influencia direta daqueles olhos da cor do céu, opto pela insânia de abrir as portas de um espaço físico para que as letras, as cores e formas se concretizem. Estamos em 2004. E é quando, pouco depois das festas, aqueles olhos da cor do céu juntam-se ao céu azul, tornando-o ainda mais intenso. Esse brilho foi tão forte, que a menor das homenagens e o maior dos privilégios, fez surgir a Casa de Artes Helena Kolody, amadrinhado e abençoado por aqueles olhos que só quem teve a sorte de ser agraciado, pode entender.
Dona Helena Kolody. Um nome que respeito tanto ou mais do que o de minha própria mãe. E que me esforço diariamente, para ser digno deste parentesco feito não de sangue, mas de poesia .
domingo, 30 de setembro de 2012
Vindas
Não foi a primeira vez que a calma me estendeu a mão.
Orgulhoso, sempre desdenhei.
E por pura pirraça, metia as mãos no bolso.
Ela porém, nunca desistiu.
- Tarefa! dizia, humilde.
Noite dessas, ouço bater à janela.
Já conheço o som suave da sua pequena mão ao encontrar o vidro.
Sorrindo, me ofereceu mais uma vez.
E resolvi aceitar seu convite...
Não sei como será, sua companhia é nova,
Também não sei até quando nossas mãos estarão unidas,
Mas até lá, aproveito sua presença, e com calma, sigo
E escrevo...
Orgulhoso, sempre desdenhei.
E por pura pirraça, metia as mãos no bolso.
Ela porém, nunca desistiu.
- Tarefa! dizia, humilde.
Noite dessas, ouço bater à janela.
Já conheço o som suave da sua pequena mão ao encontrar o vidro.
Sorrindo, me ofereceu mais uma vez.
E resolvi aceitar seu convite...
Não sei como será, sua companhia é nova,
Também não sei até quando nossas mãos estarão unidas,
Mas até lá, aproveito sua presença, e com calma, sigo
E escrevo...
domingo, 15 de julho de 2012
Tolo
Olhos que brilham. Aquecem.
Fazem esquecer.
Iluminam. Enternecem.
Fazer querer.
Olhos que cantam. Acompanham.
Trazem cor.
Encantam. Resplandecem
Viram prece.
Fazem esquecer.
Iluminam. Enternecem.
Fazer querer.
Olhos que cantam. Acompanham.
Trazem cor.
Encantam. Resplandecem
Viram prece.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Devoto
Prezo pouco, mas o pouco que prezo, prezo muito. E prezo coisas simples...
Dentre elas, os ciclos: o de calar, o de vociferar, o de aguardar, o de urgir.
E os vivo todos, num mesmo dia...
E prezo pela inconstância.
Busco a fina sintonia entre o que deve e o que me move.
Agarro minhas crenças e convicções; abro pequenas e breves concessões, só porque o caminho entre elas é divertido.
E retomo o ciclo. Sou o que me move, e me movo pelo que sou. Me regurgito.
Como sempre. Sempre como.
Desfaço o sentido de tudo que me esforcei muito para fazer sentido.
Meu sentir não pensar. E não penso no que sinto.
Me empurro para o abismo, e refuto a mão que quer me segurar.
Me abasteço da vertigem da queda. Me esfalfo no chão, bato o pó das velhas calças.
Limpo o sangue do nariz na manga da camisa.
E subo. E ciclo. E prezo.
De novo.
Dentre elas, os ciclos: o de calar, o de vociferar, o de aguardar, o de urgir.
E os vivo todos, num mesmo dia...
E prezo pela inconstância.
Busco a fina sintonia entre o que deve e o que me move.
Agarro minhas crenças e convicções; abro pequenas e breves concessões, só porque o caminho entre elas é divertido.
E retomo o ciclo. Sou o que me move, e me movo pelo que sou. Me regurgito.
Como sempre. Sempre como.
Desfaço o sentido de tudo que me esforcei muito para fazer sentido.
Meu sentir não pensar. E não penso no que sinto.
Me empurro para o abismo, e refuto a mão que quer me segurar.
Me abasteço da vertigem da queda. Me esfalfo no chão, bato o pó das velhas calças.
Limpo o sangue do nariz na manga da camisa.
E subo. E ciclo. E prezo.
De novo.
terça-feira, 27 de março de 2012
Nem mesmo
"Se você pudesse ver o amante em mim e pudéssemos juntar nossas mãos, você veria o quão bom poderia ser, e cantaríamos essas estúpidas canções de amor para sempre..."
Mais uma vez, um trecho de canção, já quase antiga, e muito desconhecida.
E com ela, um pensar tolo, como é tola toda paixão. Essa vontade de dividir-se, de comungar, de aceitar e admirar.
Já não sei se sabemos amar. Nem ao mesmo se ainda sabemos o que significa.
Escondemos nas palavras batidas essa nossa incapacidade. Declinamos no primeiro acelerar do peito, no primeiro sorriso que escapa.
E não sabemos mais, porque amor, é descontrole. É aquela fúria indomável. Fremente e inconstante, que nos faz agir por impulso, perder a fala e secar a boca. É chama. Queima e dói. De dor e de prazer.
E é isso que perdemos, essa capacidade.
Almejamos o controle, total. Sobre todos e sobretudo sobre nós mesmos. Sem mais espaço para o perder de rumo, sem o desconforto de estar perdido.
Assim, o amar se foi. As mãos dadas se foram, e o cantar das estúpidas canções de amor se perdeu...
E nem mesmo os poetas amam mais.
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