terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Caminho da roça

Viajo há muito, por sorte meu trabalho me levou à muitos lugares. Em cada um deles, devoto meu respeito. A cidade é muito mais antiga que eu. Há quatro anos, o destino me levou a Irati, doce cidade no centro-sul do Paraná. Sou feliz aqui, mas meu coração, embora dividido, é curitibano. Era um menino, de três anos incompletos quando nevou pela última vez, depois de nascer prematuro na Vicente Machado. Me criaram perto do Cemitério Municipal, quando a praça do gaúcho era ainda só uma praça com areia, o Mueller era só uma fabrica abandonada, e os pinheirinhos se amontoavam no muro do Cemitério.
Tudo mudou, mas o respeito não muda. Se aprende no berço.
Respeito que muitos esquecem, quando aportam na minha cidade. Se acham maiores que ela. E querem impor seus hábitos, sem perguntar. A Curitiba fria acolhe todos, mesmo que em pouco tempo esqueçam de onde vieram. Aqueles que só a usam, sem pudor. Os imbecis que se adonam da terra, que não perdem a oportunidade de falar mal daquela que paga seus sustentos. 
De longe, sofro com minha terra natal. Nem ela, nem eu, nascemos com grandes vocações. Não lidamos bem com as transformações.
E, mesmo de longe, coleciono desafetos. De longe, defendo o chão que nasci. 
Continuo assim, província. E se falar mal da minha Curitiba, vai ter em mim um inimigo, e sem pudor, te mando de volta para a roça (ou metrópole) que saiu. 

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