sexta-feira, 9 de março de 2012

Ocupação

Deixar. Tenho conjugado esse verbo à exaustão, há quase quarenta anos. 
Deixo e me deixo.
E só escrevo quando a alma grita. Por muito, ou por nada.
Por uma simples sensação, um aroma, um arfar.
Meu silêncio desembocou nisso, num talvez. Numa impressão.
E de novo, sopro a última brasa, abro o peito e pago o preço.
Alterno passos largos com outros, quase imperceptíveis.
Deixei, de novo. E ficou o espaço, vazio. Não por muito tempo.
Algo ou alguém sempre o ocupa.
Então, que eu me ocupe, de novo, sem culpa.
E deixo a sensação me ocupar, até que se conjugue, de novo, o verbo que tão bem conheço.

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