"Se você pudesse ver o amante em mim e pudéssemos juntar nossas mãos, você veria o quão bom poderia ser, e cantaríamos essas estúpidas canções de amor para sempre..."
Mais uma vez, um trecho de canção, já quase antiga, e muito desconhecida.
E com ela, um pensar tolo, como é tola toda paixão. Essa vontade de dividir-se, de comungar, de aceitar e admirar.
Já não sei se sabemos amar. Nem ao mesmo se ainda sabemos o que significa.
Escondemos nas palavras batidas essa nossa incapacidade. Declinamos no primeiro acelerar do peito, no primeiro sorriso que escapa.
E não sabemos mais, porque amor, é descontrole. É aquela fúria indomável. Fremente e inconstante, que nos faz agir por impulso, perder a fala e secar a boca. É chama. Queima e dói. De dor e de prazer.
E é isso que perdemos, essa capacidade.
Almejamos o controle, total. Sobre todos e sobretudo sobre nós mesmos. Sem mais espaço para o perder de rumo, sem o desconforto de estar perdido.
Assim, o amar se foi. As mãos dadas se foram, e o cantar das estúpidas canções de amor se perdeu...
E nem mesmo os poetas amam mais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário